sexta-feira, janeiro 30, 2009
Berlim- Impressões I
Numa praça de Berlim, com frio pelas pernas, o rio ao fundo sob pequenas pontes. O mundo cosmopolita atravessado por uma linha velha e ténue onde o comunismo existe em pequenos homens nos semáforos. Alguém passa com um chocolate quente na mão. A vida pelas montras das lojas. A vida das avenidas largas e das gentes apressadas em bicicletas e metros de rua. Berlim dos homens vestidos de preto e dos grandes outdoors. A cidade cosmopolita e intensa sob o frio imenso quase que gela.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Noite
Nada sei de estórias de reis que te conte
E de embalar sei a vida que me passa
E não me deixa nunca, nunca...
E de embalar sei a vida que me passa
E não me deixa nunca, nunca...
Os mares além da Grécia
Diz-me de sonhos breves
Assim, na minha mão
Casa e corpo e pão
E canto leve
Onde te cante dias de encanto e espanto
Sonho ainda breve
E trémulo e meu
Ondas de um mar Egeu
Sem fim, mas com pranto.
Assim, na minha mão
Casa e corpo e pão
E canto leve
Onde te cante dias de encanto e espanto
Sonho ainda breve
E trémulo e meu
Ondas de um mar Egeu
Sem fim, mas com pranto.
De um mar de azul e ondas
De azul e ondas
Como primeiro
É dia sem riscas
Meu quarto de sala de alma
De forno quente de coisa alguma
Registo marujo e espuma
Como num mar encarniçado
De azul e de ondas.
Como primeiro
É dia sem riscas
Meu quarto de sala de alma
De forno quente de coisa alguma
Registo marujo e espuma
Como num mar encarniçado
De azul e de ondas.
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Gustavo- Corte (I)
A Tia Bé tinha uma casa nas Azenhas do Mar. Era branca e breve. Não tinha telhado, mas terraço e a todo o comprimento uma grande varanda estendia-se sobre o mar. Não havia nada de extraordinário nesta casa. A Tia Bé era uma mulher que tinha dinheiro suficiente para pagar somas exurbitantes para viver numa pequena casa branca numa colina frente ao mar. Não havia nada de romântico nisto, só de económico. O dinheiro da Tia Bé era a fonte que alimentava a beleza da sua casa.
Gustavo nunca pensou isto da casa da Tia Bé. Era para ele um espaço ideal onde cada coisa era guardada num sítio exacto de ser. As ânforas milimetricamente colocadas por uma questão de estilo eram para ele uma essência dum mundo onde ele ansiava por chegar, duma forma una e real de existir.
Mal chegou Gustavo enfiou-se na varanda. Podia ter ficado a contemplar o mar, mas sentou-se, dobrou os joelhos e meteu a cabeça no meio deles. O barulho do mar era forte e o seu cheiro era intenso. Deve ter ficado assim muito tempo porque de súbito sentiu escuro à sua volta e é sabido que no Verão o escuro demora muito a chegar e quase nunca existe verdadeiramente. Além do cheiro do mar havia um cheiro intenso a orégãos. A casa da Tia Bé cheirava sempre a orégãos porque era feita para cheirar sempre a orégão. Era um cheiro mágico de acalmar as mágoas e de despertar a fome.
O mar batia mais forte sobre a areia lá fora, agora que era noite. Como nascendo dum estado fetal Gustavo foi-se levantando. Erguido, aproximou-se da varanda, olhou o mar de frente, fechou os olhos e encheu os pulmões de maresia. Há um tempo breve a porta tinha-se aberto e a Tia Bé tinha-se esgueirado por ela. Pôs-se de pé, sempre muito direita e deixando os olhos no horizonte perguntou-lhe:
- Até onde é que consegues ver?
- Até dentro de mim. Ou é assim que pelo menos tudo isto me parece.
Gustavo nunca pensou isto da casa da Tia Bé. Era para ele um espaço ideal onde cada coisa era guardada num sítio exacto de ser. As ânforas milimetricamente colocadas por uma questão de estilo eram para ele uma essência dum mundo onde ele ansiava por chegar, duma forma una e real de existir.
Mal chegou Gustavo enfiou-se na varanda. Podia ter ficado a contemplar o mar, mas sentou-se, dobrou os joelhos e meteu a cabeça no meio deles. O barulho do mar era forte e o seu cheiro era intenso. Deve ter ficado assim muito tempo porque de súbito sentiu escuro à sua volta e é sabido que no Verão o escuro demora muito a chegar e quase nunca existe verdadeiramente. Além do cheiro do mar havia um cheiro intenso a orégãos. A casa da Tia Bé cheirava sempre a orégãos porque era feita para cheirar sempre a orégão. Era um cheiro mágico de acalmar as mágoas e de despertar a fome.
O mar batia mais forte sobre a areia lá fora, agora que era noite. Como nascendo dum estado fetal Gustavo foi-se levantando. Erguido, aproximou-se da varanda, olhou o mar de frente, fechou os olhos e encheu os pulmões de maresia. Há um tempo breve a porta tinha-se aberto e a Tia Bé tinha-se esgueirado por ela. Pôs-se de pé, sempre muito direita e deixando os olhos no horizonte perguntou-lhe:
- Até onde é que consegues ver?
- Até dentro de mim. Ou é assim que pelo menos tudo isto me parece.
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Coisas de dizer numa manhã de Inverno e sol
Quero dizer palavras de música e fado.
Cantando encanto-me!
Cantando encanto-me!
sexta-feira, dezembro 26, 2008
Experimentação para Conto de Gustavo-IV ou Conversa sobre Tejo e Tágides
Debruçado sobre o varandim esvoaçou a mão para afastar o fumo do cigarro.
- Que mariquices! Agora nem na minha varanda posso fumar, perguntou Sara brincando enquanto apagava o cigarro.
- Vês ao fundo? É preciso que nos curvemos um pouco e que empoleiremos aqui a barriga para ver o Tejo. Dói e custa manter este equilíbrio, mas quem pensa nisso assim que vê o rio? O Tejo é tão azul. Hoje como em Agosto. Tem princípio mas é tolo dizer que tem fim. Onde acabará o Tejo?
- Já me fazia falta essa tua maneira de falar. Diz-me um poema, dizes?
- Ao longe é rio e ele vai até ao país das fadas. Porque não podemos lá ir nós também? Vês quantas perguntas faço hoje? Hoje é noite de construir poemas e dir-te-ei quantos quiseres. Porque moras em Alfama e debruçado da tua janela vejo o rio. Isso deixa-me feliz. E deixa-me feliz partilhá-lo contigo porque sabes o que é ter uma janela para o Tejo. Nós temos olhos de ver o país das fadas, não temos Sara?
Sara passou a mão levemente pelo cabelo de Gustavo enquanto lhe dava um beijo no rosto.
- Temos, porque tu e eu sabemos construir palavras de ver coisas d'alma.
A rapariga tinha o braço esticado, o corpo flectido e apoiado no varandim.
- Vês lá longe, aquela luz? Porque não dizer que aí resta o país da fadas?
- Que mariquices! Agora nem na minha varanda posso fumar, perguntou Sara brincando enquanto apagava o cigarro.
- Vês ao fundo? É preciso que nos curvemos um pouco e que empoleiremos aqui a barriga para ver o Tejo. Dói e custa manter este equilíbrio, mas quem pensa nisso assim que vê o rio? O Tejo é tão azul. Hoje como em Agosto. Tem princípio mas é tolo dizer que tem fim. Onde acabará o Tejo?
- Já me fazia falta essa tua maneira de falar. Diz-me um poema, dizes?
- Ao longe é rio e ele vai até ao país das fadas. Porque não podemos lá ir nós também? Vês quantas perguntas faço hoje? Hoje é noite de construir poemas e dir-te-ei quantos quiseres. Porque moras em Alfama e debruçado da tua janela vejo o rio. Isso deixa-me feliz. E deixa-me feliz partilhá-lo contigo porque sabes o que é ter uma janela para o Tejo. Nós temos olhos de ver o país das fadas, não temos Sara?
Sara passou a mão levemente pelo cabelo de Gustavo enquanto lhe dava um beijo no rosto.
- Temos, porque tu e eu sabemos construir palavras de ver coisas d'alma.
A rapariga tinha o braço esticado, o corpo flectido e apoiado no varandim.
- Vês lá longe, aquela luz? Porque não dizer que aí resta o país da fadas?
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Joyeux Nöel (qu'é p'ra ser em francês qu'é mai' chique)
O "Enquanto Lisboa namora o Tejo..." deseja um feliz Natal a todos os seus leitores!
domingo, dezembro 14, 2008
Estórias de Anícios e Petrónios do antigamente ou Um dia de mudar a vida das coisas antigas
A mulher fala-me. Não é muito bonita, mas é de certa forma elegante. Sorri e acena muito em concordância. Gosta de mim e eu gosto dela como estas coisas se dão entre académicos: gostamos das ideias um do outro.
Ao fundo Anícia Demétrias, ainda com catorze anos, empuleira-se no vão da escada e deixa cair pelo grande fosso a carta de São Jerónimo. A avó, matrona grave, olha-a em repreensão. A criança quase freira sorri mostrando por trás do véu da castidade uma beleza louvável no mundo dos vivos. Sexto Cláudio, espreita-me do alto, soberano, enquanto Hermoginiano acompanha o homem que vem confirmar que é real tudo aquilo que se passa.
A mulher e o homem falam e combinam coisas e acertam pormenores, meio alheios à minha existência, enquanto a decidem. Não podem ver a agradável corte que os cerca. Anícios e Petrónios do antigamente, ainda meio apagados, ainda meio etéreos. Hermoginiano já está de novo ao lado dos pais, espreitando-me do cimo das escadas. Vieram todos e espreitam com o seu ar desconfiado de romanos o rapaz que lhes faz promessas. Só Demétrias não está com eles, ainda empoleirada no vão da escada. Escorrega por ele e desce com graça os últimos degraus. De súbito, a sua mão no meu ombro. Pouco antes de acordar olho-os a todos e ouço dizê-la ao meu ouvido "Agora, dá-nos voz!"
Ao fundo Anícia Demétrias, ainda com catorze anos, empuleira-se no vão da escada e deixa cair pelo grande fosso a carta de São Jerónimo. A avó, matrona grave, olha-a em repreensão. A criança quase freira sorri mostrando por trás do véu da castidade uma beleza louvável no mundo dos vivos. Sexto Cláudio, espreita-me do alto, soberano, enquanto Hermoginiano acompanha o homem que vem confirmar que é real tudo aquilo que se passa.
A mulher e o homem falam e combinam coisas e acertam pormenores, meio alheios à minha existência, enquanto a decidem. Não podem ver a agradável corte que os cerca. Anícios e Petrónios do antigamente, ainda meio apagados, ainda meio etéreos. Hermoginiano já está de novo ao lado dos pais, espreitando-me do cimo das escadas. Vieram todos e espreitam com o seu ar desconfiado de romanos o rapaz que lhes faz promessas. Só Demétrias não está com eles, ainda empoleirada no vão da escada. Escorrega por ele e desce com graça os últimos degraus. De súbito, a sua mão no meu ombro. Pouco antes de acordar olho-os a todos e ouço dizê-la ao meu ouvido "Agora, dá-nos voz!"
terça-feira, dezembro 09, 2008
Estória em tom menor
Tem o beiço caído e o corpo jogado no cadeirão frente à janela. Da cidade e do Tejo algum enjoo.
A mulher abeira-se dele.
"Dói-me a cabeça como a noite."
Lá fora há noite e escura e densa.
Rosário, pensa: como pode doer a cabeça como a noite? Onde estão as palavras que faltam?
A mulher abeira-se dele.
"Dói-me a cabeça como a noite."
Lá fora há noite e escura e densa.
Rosário, pensa: como pode doer a cabeça como a noite? Onde estão as palavras que faltam?
sexta-feira, novembro 21, 2008
Poema do fim da tarde
Para Stijn Luyten.
Pois tu dirás pedra
Para que eu diga mar.
A vida é um dia de sol
Quando jogamos no degrau da
Entrada
Este secreto jogo
De silêncios.
Tua advinha de palavras d'alma
É cidade
Onde diga
Luz, casa e amigo.
Pois tu dirás pedra
Para que eu diga mar.
A vida é um dia de sol
Quando jogamos no degrau da
Entrada
Este secreto jogo
De silêncios.
Tua advinha de palavras d'alma
É cidade
Onde diga
Luz, casa e amigo.
sexta-feira, novembro 14, 2008
Uma noite numa livraria de Lisboa
Um dia mais ingénuo, como em ramos de árvore.
É de noite e alguém fala numa livraria de Lisboa.
Naufrago agora nas letras e de súbito sou derrotado pelo livro.
Vivo em extâse!
É de noite e alguém fala numa livraria de Lisboa.
Naufrago agora nas letras e de súbito sou derrotado pelo livro.
Vivo em extâse!
Coisas de dizer
Mais uma vez repito:
Entre nós os dois há o silêncio!
(Os teus olhos rodopiam ferverosamente irritados)
Há o teu sorriso quando me vês
E o teu abraço frente ao rio
E um sim constante em todas as horas
E uma coisa rebrilhante de teatro de ser coisa quotidiana.
Nem pedra, nem fruto, nem arca,
Ou estória ou dia ou parábola.
Ouves agora as palavras no nosso silêncio?
Entre nós os dois há o silêncio!
(Os teus olhos rodopiam ferverosamente irritados)
Há o teu sorriso quando me vês
E o teu abraço frente ao rio
E um sim constante em todas as horas
E uma coisa rebrilhante de teatro de ser coisa quotidiana.
Nem pedra, nem fruto, nem arca,
Ou estória ou dia ou parábola.
Ouves agora as palavras no nosso silêncio?
Rua da cidade ou Evocação de Sara
Dizias alma
Como se cada palavra fosse tua para dar.
Tu eras uma rua estreita e sem sentido certo.
Eras Lisboa sem Tejo, prédio arruinado.
E eras homem e mulher de pedir esmola e coisas do cair da tarde na cidade.
E amei-te tanto que em cada palavra
Calcetei nova pedra
E foste rua nova frente ao rio.
Como se cada palavra fosse tua para dar.
Tu eras uma rua estreita e sem sentido certo.
Eras Lisboa sem Tejo, prédio arruinado.
E eras homem e mulher de pedir esmola e coisas do cair da tarde na cidade.
E amei-te tanto que em cada palavra
Calcetei nova pedra
E foste rua nova frente ao rio.
sexta-feira, novembro 07, 2008
Tarde erotisante na sala do piano ou Viagem dos antigos
Na sala do piano meu corpo aguarda por ser tocado em teclas frias.
Teclas brancas ou negras, mas frias.
De corpo roçagante no rosa do sofá, de alma perdida na viagem continua de cada moldura.
Teclas brancas ou negras, mas frias.
De corpo roçagante no rosa do sofá, de alma perdida na viagem continua de cada moldura.
quinta-feira, novembro 06, 2008
Um brinde ao Presidente B.H. Obama
Ontem fez sol de manhã. E eu sentei-me na minha sala. E ouvi todas as músicas, os baladeiros de Abril. E li todos os poetas. E abri uma garrafa de Madeira. E o Ary, o Gedeão e tantos outros vieram beber comigo. E deixei-me mergulhar em tudo isto. Sentado na minha sala embebedei-me de música e poesia e livros e filmes.
Ontem foi um dia de acreditar. Hoje talvez já não, mas ontem sim. O dia de ontem é nosso para sempre. O dia em que o mundou soube voltar a acreditar e em que a democracia falou alto até às fronteiras de tudo. Ontem sonhei, bêbedo do mundo, e acreditei em tudo o que é bom acreditar.
Não sei o que será hoje. Mas sei o que foi ontem. E ontem soubémos e sonhámos que o sonho comanda a vida. E que este homem sonhou para que o mundo pulasse e avançasse como bola colorida por entre as mãos duma criança.
Ontem foi um dia de acreditar. Hoje talvez já não, mas ontem sim. O dia de ontem é nosso para sempre. O dia em que o mundou soube voltar a acreditar e em que a democracia falou alto até às fronteiras de tudo. Ontem sonhei, bêbedo do mundo, e acreditei em tudo o que é bom acreditar.
Não sei o que será hoje. Mas sei o que foi ontem. E ontem soubémos e sonhámos que o sonho comanda a vida. E que este homem sonhou para que o mundo pulasse e avançasse como bola colorida por entre as mãos duma criança.
Soul Mates
Para Daniela Varela, ela há-de saber porquê.
Fico aqui, à beira de ti. Namoro docemente a tua voz. Por onde vou ou por onde ando, tu sabes. Já olhaste para dentro de mim.
A tua música é gémea da minha alma. Às vezes ouço-te e gostava que o mundo se vestisse de nós.
Não desisti. Lentamente murmuro às águas "Oh, quero ver, quero mais e sonho, depois do rio o que é que vem?"
Tenho uma infância como tu e não a esqueço. Moldo-me e olhamo-nos dentro um do outro.
A tua alma é gémea da minha!
http://www.myspace.com/flordelisbanda
Fico aqui, à beira de ti. Namoro docemente a tua voz. Por onde vou ou por onde ando, tu sabes. Já olhaste para dentro de mim.
A tua música é gémea da minha alma. Às vezes ouço-te e gostava que o mundo se vestisse de nós.
Não desisti. Lentamente murmuro às águas "Oh, quero ver, quero mais e sonho, depois do rio o que é que vem?"
Tenho uma infância como tu e não a esqueço. Moldo-me e olhamo-nos dentro um do outro.
A tua alma é gémea da minha!
http://www.myspace.com/flordelisbanda
sexta-feira, outubro 31, 2008
Anseios nocturnos por algo semelhante à escuridão ou Palavras necessárias para saber que já não me existo
Espelho baço,
Agora sombra de mim mesmo.
Fugi-me num dia assim
E não voltei.
Mudo quedo quieto,
Resto sem eu que me seja.
Agora sombra de mim mesmo.
Fugi-me num dia assim
E não voltei.
Mudo quedo quieto,
Resto sem eu que me seja.
quarta-feira, outubro 29, 2008
Desabafo ou Palavras diárias sem linha mas com fio
A música em flor-de-lis. A falta do Tejo. O teu corpo que não me pertence. Petrónios e Anícios de há tantos tempos. Escrever incessantemente. Voltar a escrever depois.
Não me ligues sempre se faz favor. A mim também me dói e perco tempo para te consolar. Tomar conta de crianças adultas, tormento. Ser genial, ser mais genial, ainda ser genial. A falta do Tejo. Eu sem Lisboa.
Montras, lojas, roupas. Desejos. Pessoas, jantares, almoços, palavras. Ocupem-me que bem preciso!
E tardes e computadores e coisas para escrever. Fadiga. E tu ligas. E ele também liga. E falam um do outro. E eu que penso em mim e no outro que não é o mesmo outro.
Eu arvorado em Prima-Donna. Sim, é mesmo tudo sobre mim. O blogue é meu!
Eu arvorado em Prima-Donna. Milhares de episódios de Anatomia de Grey. Milhares de sexo platónico. Alguma masturbação. Pornografia.
Cansaço. Grande cansaço.
E as noites, noites sempre de noite, sempre escuras enquanto é noite e de noite. Amanhã. Palavra e desejo constante. Vou esquecer tudo e construir amanhãs como num filme qualquer.
Mas por onde é que eu ando!?
Não me ligues sempre se faz favor. A mim também me dói e perco tempo para te consolar. Tomar conta de crianças adultas, tormento. Ser genial, ser mais genial, ainda ser genial. A falta do Tejo. Eu sem Lisboa.
Montras, lojas, roupas. Desejos. Pessoas, jantares, almoços, palavras. Ocupem-me que bem preciso!
E tardes e computadores e coisas para escrever. Fadiga. E tu ligas. E ele também liga. E falam um do outro. E eu que penso em mim e no outro que não é o mesmo outro.
Eu arvorado em Prima-Donna. Sim, é mesmo tudo sobre mim. O blogue é meu!
Eu arvorado em Prima-Donna. Milhares de episódios de Anatomia de Grey. Milhares de sexo platónico. Alguma masturbação. Pornografia.
Cansaço. Grande cansaço.
E as noites, noites sempre de noite, sempre escuras enquanto é noite e de noite. Amanhã. Palavra e desejo constante. Vou esquecer tudo e construir amanhãs como num filme qualquer.
Mas por onde é que eu ando!?
terça-feira, outubro 28, 2008
Estória das duas cidades com rio ou Conversa entre coisas que nos rodeiam
Para Ana Garcia e Sara Borga, porque me inspiram .
A. senta-se numa cadeira perto do lago. A. descobriu agora a vida em Lisboa e isso entusiasma-a. Este é um prazer conquistado: A. senta-se numa cadeira do Relógio d'Água com uma fatia de bolo. O jardim Amália Rodrigues é agora um dos seus sítios preferidos. Há gente e vida assim como ela queria que houvesse. As pessoas têm em geral um ar feliz e o jardim é quase sempre verde. Outubro é agora escaldante nas suas tardes. E isso agrada-a. Ver as coisas acontecerem fá-la sentir que faz parte delas. A. está sentada na sua cadeira mas viaja em torno de si e dos outros.
Enquanto, S. lembra-se de Lisboa e do jardim Amália Rodrigues dos tempos em que morava no Bairro Azul. Era mais nova, mas já tinha os olhos abertos. A mãe levava-a a passear pelo corredor verde. Uma bicicleta ocasional parece-lhe agora ridículo, como antes lhe parecia fantástico. Em Gent, frente ao rio, são várias as bicicletas, todas ocasionais, porque para todas as ocasiões. Outubro tem agora tardes enregelantes enquanto S. se habitua aos rigores do Norte. Os gestos são uma chamada de atenção constante e S. deixa-se levar. Desenha incessantemente para captar a vida da pequena cidade à sua volta. Porque nas tardes de Outubro S. tenta entender a vida da cidade enquanto se senta numa café junto ao rio.
A. e S. têm normalmente vidas distantes. Partilharam uma vez algumas palavras e uma peça de teatro, uma tarde no São Luiz. A. e S. amam a vida da cidade e têm sede. A sede fá-las procurar novas nascentes. No metro, ou a caminho da faculdade numa bicicleta. Na aula de economia financeira ou frente a uma tela. Ao som dum cavaquinho ou ao som de qualquer que seja o instrumento típico dos belgas. A. e S. dão saudades porque vão fazendo a vida loge de mim, mas sobretudo guardam em mim esperanças de outras sedes.
A. senta-se numa cadeira perto do lago. A. descobriu agora a vida em Lisboa e isso entusiasma-a. Este é um prazer conquistado: A. senta-se numa cadeira do Relógio d'Água com uma fatia de bolo. O jardim Amália Rodrigues é agora um dos seus sítios preferidos. Há gente e vida assim como ela queria que houvesse. As pessoas têm em geral um ar feliz e o jardim é quase sempre verde. Outubro é agora escaldante nas suas tardes. E isso agrada-a. Ver as coisas acontecerem fá-la sentir que faz parte delas. A. está sentada na sua cadeira mas viaja em torno de si e dos outros.
Enquanto, S. lembra-se de Lisboa e do jardim Amália Rodrigues dos tempos em que morava no Bairro Azul. Era mais nova, mas já tinha os olhos abertos. A mãe levava-a a passear pelo corredor verde. Uma bicicleta ocasional parece-lhe agora ridículo, como antes lhe parecia fantástico. Em Gent, frente ao rio, são várias as bicicletas, todas ocasionais, porque para todas as ocasiões. Outubro tem agora tardes enregelantes enquanto S. se habitua aos rigores do Norte. Os gestos são uma chamada de atenção constante e S. deixa-se levar. Desenha incessantemente para captar a vida da pequena cidade à sua volta. Porque nas tardes de Outubro S. tenta entender a vida da cidade enquanto se senta numa café junto ao rio.
A. e S. têm normalmente vidas distantes. Partilharam uma vez algumas palavras e uma peça de teatro, uma tarde no São Luiz. A. e S. amam a vida da cidade e têm sede. A sede fá-las procurar novas nascentes. No metro, ou a caminho da faculdade numa bicicleta. Na aula de economia financeira ou frente a uma tela. Ao som dum cavaquinho ou ao som de qualquer que seja o instrumento típico dos belgas. A. e S. dão saudades porque vão fazendo a vida loge de mim, mas sobretudo guardam em mim esperanças de outras sedes.
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