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terça-feira, fevereiro 19, 2013

Os aristocratas

Aquela coisa estranhamente aristocrática de sabermos nossos os espaços também da nossa família. Essa unidade não só do tempo como do espaço, revivendo, reavivando memórias e coisas que por bem não devemos, não podemos esquecer.

terça-feira, outubro 16, 2012

Livros

As coisas acontecem a seu tempo e nunca por acaso. De manhã, ainda antes da casa acordar, ou à noite quando já todos foram dormir, em casa de amigos ou familiares acontece-me por vezes (poucas) esta coisa fantástica em que um livro vem ter comigo. Eu não o conhecia, tão pouco o seu autor, mas de certa forma o encontro dá-se quando aquele é mesmo o livro que quero ler, ainda que não o soubesse. Quando o peço emprestado acabo sempre por ouvir que tinham pensado em mim quando o leram. Mas não me falaram dele- o livro esperou até à altura certa em que o pudesse encontrar numa prateleira de estante para depois passarmos longos dias a encontrarmo-nos.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Lisboa

para Sara Guia d'Abreu, como todas as nossas lisboas

Este jogo inconsequente de quebra-cabeças; uma cidade sempre nova em cada esquina. Há o mistério do azulejo, do varandim com sol, da pessoa que desce as mil escadinhas da cidade que desaguam em bairros e jardins de segredo escondidos atrás de fachadas velhas e também cansadas. Não há domingo, nem dia de estar só- em lisboa há os dias do Sol várias vezes por semana, várias vezes por estação. É esta coisa que não contamos a ninguém- este anseio sempre presente de ser cidade, de estar uno com o espaço da cidade. A cidade tem muitas torres de igreja, muitas praças, muitos cantos guardados. Uma cidade secreta, como um presente que se oferece, prenhe de estórias porque ansiamos.

sábado, setembro 17, 2011

Da perda

Perder vem de manso e instala-se nesta cadeira ao meu lado. Depois jogo este quebra-cabeças sem número em que cada dia é mais uma peça falando-me do que perdi.

quinta-feira, maio 26, 2011

À Tarde

Para Luísa Vaz Ferreira

Às vezes, quando passo por Lisboa, sinto-te a falta. São algumas intimidades para as quais urge nunca inventar palavras. O tempo é demasiado longo nas eternas viagens suburbanas e no espaço perdido entre a cidade e as coisas pensamos em tudo, mas mais na saudade. Lisboa agora sem fado, sem Tejo, sem cais. Onde andas?

quarta-feira, abril 27, 2011

Os homens belos

Os homens belos do pateo grego são como a biga latina de cavalos cujas velozes patas batem vorazes sobre o meu peito.

sábado, março 05, 2011

O deus do mar

O deus do mar morava ali. Venci lentamente o medo das ondas que fazem rolar os calhaus e cheguei mesmo a saltar da pedra grande. Ao deus do mar, nunca o vi. Mas sei que é ali que ele mora.

A varanda

A varanda, esse segredo antigo da cidade, onde o sol batente faz o tempo correr devagarinho.

domingo, setembro 20, 2009

Mel

O espaço de cada letra invade-me violentamente e cada poro do corpo é agora conspurcado como por um mel doce que chegue.

domingo, agosto 16, 2009

Tarde de Domingo

Suspirar de prazer numa tarde de Domingo. Vivo das pequenas coisas.

Carícias.

Queijos.

Vinho Verde.

Deixo-me e vagueio com alguma constância. Agora pelo corpo, depois pela mente, quase sempre pelos dois ao mesmo tempo.

quarta-feira, julho 29, 2009

quarta-feira, julho 08, 2009

domingo, maio 03, 2009

Evocando a última cena do bailado "Inês de Castro"

Dona Inês está morta, mas sussurra no ouvido de Dom Pedro:

"Leva-me a dançar sobre a água"

No corpo jacente e bailante de Inês, Pedro planta um jardim de coisas indizíveis. Tudo nasce sobre a água que submergiu o convento de Santa Clara. Essa água emerge em nós, sempre que uma Inês sussura ao ouvido de um seu Pedro.

quinta-feira, abril 16, 2009

Numa noite de dor d'alma

Perguntei no velho da tribo dos significados das coisas. Falou-me nas voltas do mundo e no voo do grande pássaro umbi-umbi. E disse de dias de tristeza e dor e falou dum sol, esse tal que nasce depois das coisas.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Em Alexandarplatz ou Um dia na toirada ou ainda Viagem entre a Alemanha e a arena dentro de mim mesmo

Para G., sem autorização de ser miserabilista.

Algures no vazio de Alexanderplatz passeia uma multidão de gente. Os sons estridentes da cidade, entre os comboios velozes e os infindáveis autocarros. A Galeria e as salsichas e os donuts e todas as coisa que fazem uma praça da cidade.

Depois olhei para dentro de mim mesmo.

Era um dia de arena e toirada. E a vida feito toiro marrava num recanto até correr na minha direcção. E fiquei sem ar e quase sem pulmões e não respirei durante segundos demasiado longos. E tive os olhos sempre fechados. Mas quando os abri tinha agarrado o toiro pelos cornos.